O basquete mudando a vida de menores abandonados
João
Victor poderia ter sido apenas mais uma criança sem perspectivas de futuro se
duas ex-jogadoras de basquete não tivessem cruzado o seu caminho. Abandonado
pelos pais, sem condições de sustentá-lo, o jovem que morava no Morro de São
Carlos, na Zona Norte do Rio, resolveu pedir a ajuda de Márcia e Ana Maria,
responsáveis por um projeto social que alia o esporte à educação a fim de
formar atletas e cidadãos. Comovidas, as professoras não pensaram duas vezes e
o levaram para a casa delas.
Quatro anos depois, aos 13, o menino que vivia metido em
confusão virou um exemplo e é um dos maiores destaques do time de basquete do
Centro Educacional Santa Mônica, de Madureira. Neste sábado, a equipe
conquistou o título da etapa estadual das Olimpíadas Escolares ao bater o
Colégio Estadual Edmundo Peralta por 58 a 39, se classificando para a fase
nacional do torneio, de 6 a 15 de setembro, em Poços de Caldas.
- Eu era brigão, não falava direito com as pessoas e estava
sempre em confusão. Nem gostava de basquete, queria mesmo era ser jogador de
futebol. Passava o dia brincando pelo morro, soltando pipa, ficava muito
largado. Meus pais trabalhavam muito e um dia a minha mãe me disse que não
poderia mais morar comigo. O que realmente mudou na minha vida foi o amor. A
Márcia e a Ana me acolheram porque elas me amam e confiam em mim como eu confio
nelas. Elas são minhas mães de consideração, hoje eu tenho uma família.
Além de
oferecer uma nova oportunidade de vida, o projeto fez João Victor acreditar no
sonho de jogar na NBA, liga americana da modalidade, ao lado de ninguém menos
que Kobe Bryant, ala-armador do Los Angeles Lakers e um dos maiores jogadores
de todos os tempos.
- Vou fazer de tudo para chegar à NBA. O Kobe é uma inspiração
para mim, ele é o cara. Queria poder jogar com ele no Lakers. Gosto muito do
Kevin Durant também - disse o atleta, que atua na mesma posição do ídolo.
Por enquanto, ele segue defendendo o time da escola e o Tijuca
Tênis Clube, mas no que depender da torcida de Márcia, o seu futuro está
garantido.
- O JV
tem um potencial muito grande e pode facilmente ser um jogador de seleção
brasileira. Hoje, ele já é cestinha do Estadual Carioca sub-13, com uma média
de 15 pontos por partida - elogiou a professora.
Veterana do esporte, ela conta que João Victor foi o primeiro de
muitos jovens carentes que encontraram no basquete a possibilidade de escrever
uma história diferente.
- A escolinha trabalha com mais de 100 crianças e adolescentes e
tem uma parceria com o Centro Educacional Santa Mônica, que nos oferece cinco
bolsas integrais de estudo. O nosso objetivo é profissionalizar os atletas e
descobrir novos talentos.
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