Seleção Masculina de Basquete enfreta calor mas já treina em Londres!
Leandrinho fez questão de pisar forte com o pé direito em
seu primeiro treino na Arena de Basquete. Durante uma hora, ele e seus
companheiros de seleção ficaram por lá. Antes de começar o primeiro treino no
palco da primeira fase dos Jogos, Rubén Magnano aproveitou o momento para uma
conversa. Queria que guardassem esse dia na memória porque a espera foi muito
longa. Queria que soubessem que mesmo para ele, estar em solo olímpico
novamente era especial. Pouco depois, por orientação da organização, foram treinar
na quadra de aquecimento. Lá, a tirar pelo tom das orientações de Magnano,
única voz a ser ouvida, e pelo barulho das movimentações, o empenho era grande.
Com a experiência de um campeão olímpico, o treinador sabe que terá muito
trabalho até a estreia contra a Austrália, no domingo. Precisa controlar a
ansiedade do grupo, ajudá-lo a se adaptar à Vila e também ao calor inesperado
que faz na cidade nos últimos dois dias. A ausência do ar condicionado nos
quartos fez Magnano arranjar uma solução. Pediu para que ventiladores fossem
comprados.
Eles vão ter que se adaptar a isso. No ônibus também está
fazendo uns 40 graus. Não se pode subestimar os Jogos Olímpicos. Em Atenas-2004
havia ar condicionado em todos os apartamentos. Aqui nessa quadra de treino não
tem nem relógio de 24s. Como se pode treinar uma equipe olímpica assim? Mas
isso não importa, temos que nos adaptar - disse Magnano.
Os pupilos não reclamam. Estão tão felizes com a
novidade, com o fato de estarem disputando pela primeira vez as Olimpíadas, que
acham graça da situação.
Foi difícil dormir na noite de ontem. É tudo novo para
nós, é tanta gente... São quatro caras no mesmo apartamento e os outros vêm
aqui também ver TV. Eu quando era pequenininho não tinha ventilador em casa. A
gente não tem isso de glamour. O importante é que o treino está pegado. Estamos
a 120km por hora e sem tirar o pé do acelerador, tomando multa na Marginal
daquele jeito (risos). Quero muito que minha filha Alícia, meu brigadeirinho,
tenha orgulho de mim e que eu possa levar uma medalha para ela - afirma
Leandrinho.
Desde o Mundial da Turquia,
em 2010, os adversários começaram a enxergar a seleção com outros olhos. O
retorno ao cenário olímpico no ano passado e as atuações nos jogos
preparatórios para Londres despertaram ainda mais a atenção. Muitos passaram a
apontar o Brasil como um dos favoritos ao pódio. Magnano gosta do
reconhecimento, mas não quer cair em nenhuma armadilha. - Temos que ter muita cautela, sermos inteligentes para lidar com esse tipo de informação. Temos que pegar isso a nosso favor, e alimentar o ego e a nossa autoestima. Estamos falando constantemente da necessidade de ficarem calmos. A ansiedade, aos poucos, vai baixando.
Se a luxação no dedo mínimo de Leandrinho não preocupa mais, o armador Marcelinho Huertas ainda precisa se recuperar de uma infecção no dedo mínimo do pé. Nesta terça-feira, o capitão da equipe foi poupado do treino para tentar se recuperar do problema. Magnano nem cogita a possibilidade de não contar com ele na primeira partida. Na quinta-feira, a seleção faz um amistoso contra a Tunísia a portas fechadas.
- Não há alternativa. É sim ou sim - ri Magnano.
Sem reclamar, os jogadores têm seguido todas as orientações do experiente técnico. Apostam no argentino para voltarem para casa com uma medalha na bagagem. Anderson Varejão espera que ela volte enrolada na bandeira do Espírito Santo que carrega na mochila.
- Magnano disse que vamos lembrar desse momento para o resto de nossas vidas. Que não podemos deixar passar para depois ver o quanto era importante. Falou que não temos que ter pressa e que temos que acreditar, que vamos arremessar e acertar. É bom ter um técnico que já passou por uma situação assim, que é um líder para todos nós. Estou muito feliz de estar aqui entre os melhores do mundo e de ver o respeito dos outros países pelo nosso time. Só não podemos deixar que isso nos atrapalhe - disse Varejão.
Comentários